Uiramutã, município localizado na fronteira de Roraima com a Venezuela, foi apontado como o pior lugar para residir no Brasil, segundo avaliação baseada no Índice de Progresso Social (IPS). A cidade alcançou apenas 37,63 pontos em levantamento recente, ocupando a última posição entre os mais de 5.000 municípios analisados.
O IPS, desenvolvido pelo professor Michael Porter, da Universidade de Harvard (Estados Unidos), considera indicadores sociais e ambientais para medir a qualidade de vida das populações. Entre os critérios avaliados estão acesso a serviços básicos, infraestrutura urbana e oportunidades econômicas.
Especialistas destacam que a localização remota de Uiramutã, no extremo norte do país, contribui para o baixo desempenho. A falta de estradas pavimentadas e a carência de serviços de saúde e educação complicam o dia a dia dos moradores, que dependem principalmente de recursos de subsistência.
A economia local é pautada pela agricultura de pequena escala e pela criação de gado em sistema extensivo, apesar de a região apresentar potencial para a pecuária comercial e exploração mineral. A limitação de investimentos e o difícil acesso inibem o desenvolvimento de atividades mais rentáveis.
Potencial turístico como alternativa
Embora os números do IPS apontem fragilidades, Uiramutã possui atrativos naturais pouco explorados que podem impulsionar o turismo. O município se destaca por cachoeiras de água cristalina, trilhas em áreas de floresta e sítios arqueológicos que remontam às populações indígenas da região.
Guias locais, em sua maioria indígenas, oferecem roteiros que incluem observação de fauna e flora, visitas a comunidades tradicionais e vivências culturais. Eventos que celebram a história e os costumes dos povos originários reforçam a singularidade do destino.
Imagem: Divulgação/Prefeitura Municipal de Uiramutã
Mesmo com infraestrutura ainda precária, a cidade mantém pousadas rústicas e pontos de apoio que permitem a estadia de visitantes interessados em ecoturismo e turismo de aventura. Para muitos, esse segmento surge como uma saída econômica capaz de gerar empregos e renda para a população.
O desafio, segundo autoridades locais, é conciliar a preservação ambiental com melhorias nas vias de acesso e nos serviços públicos, garantindo que o potencial turístico contribua efetivamente para elevar o Índice de Progresso Social de Uiramutã.
Com informações de Tnh1