Calçoene, município localizado no norte do Amapá, é apontado como o mais chuvoso do Brasil, segundo dados da Embrapa. A média anual de precipitação atinge 4.165 milímetros, valor quase três vezes superior ao registrado em grandes centros como São Paulo.
Clima e geografia
Situado na microrregião do Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa, o município integra a floresta Amazônica Legal. A proximidade com a linha do Equador faz com que Calçoene seja fortemente influenciado pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), faixa de nuvens carregadas que gera chuvas frequentes.
Além da ação da ZCIT, a densa vegetação da floresta amazônica contribui para a umidade elevada por meio da evapotranspiração. A influência do Oceano Atlântico e a presença de rios volumosos da Bacia Amazônica intensificam ainda mais o regime de precipitação.
Relatório da Agência Fapesp revela que, de janeiro a junho, o município registra em média mais de 25 dias de chuva por mês. Segundo a classificação de Köppen-Geiger, o clima local é do tipo tropical úmido (Af).
População e economia
De acordo com o censo de 2022, Calçoene abriga 10.612 habitantes. A economia local tem base na pesca, na agropecuária, no extrativismo e no serviço público. Entre as principais atividades produtivas estão a silvicultura, o garimpo de ouro e a agricultura familiar.
Imagem: Imagem ilustrativa
Patrimônio arqueológico
O Parque Arqueológico do Solstício, apelidado de “Stonehenge do Amapá”, fica em Calçoene. Descoberto em 2006, o sítio exibe blocos de granito de até três metros dispostos em círculo, possivelmente usados por povos indígenas para celebrar solstícios e realizar rituais astronômicos.
Escavações no local identificaram fragmentos de cerâmica e ossadas humanas, indicando também função funerária. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) destaca que a região preserva vestígios de diferentes culturas, como a dos Aruaques, e evidências de rotas comerciais que se estendiam até os Andes.
Com informações de Tnh1