Um peixe de poucos centímetros de comprimento e cérebro reduzido, conhecido como bodião-limpador, surpreendeu a comunidade científica ao exibir sinais de autoconsciência que antes eram associados principalmente a mamíferos. A descoberta foi realizada por pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão.
O estudo, publicado em dezembro de 2025 na revista Scientific Reports, avaliou a capacidade dos bodiões-limpadores de reconhecer seu próprio reflexo em espelhos. Tradicionalmente, esse tipo de teste de autorreconhecimento era aplicado a primatas, elefantes, golfinhos e algumas aves, mas nunca em peixes.
Teste de reconhecimento no espelho
Durante o experimento, os cientistas marcaram discretamente a superfície do corpo dos peixes com pontos semelhantes a pequenos parasitas. Em seguida, cada indivíduo foi colocado em um aquário equipado com um espelho pela primeira vez. Observou-se que, em média, os bodiões-limpadores levaram apenas 82 minutos para associar o reflexo a si mesmos e tentar remover as marcas.
Em trabalhos comparativos anteriores com outras espécies reconhecidas, esse comportamento podia levar até seis dias para se manifestar. De acordo com o líder da pesquisa, o cientista Shumpei Sogawa, essa diferença de tempo aponta para uma estrutura de processamento cerebral mais veloz do que se imaginava em animais com cérebros tão pequenos.
Teste de contingência
Além do reconhecimento, após alguns dias de observação, alguns peixes realizaram o “teste de contingência”. Eles aproximaram pequenos detritos, como pedaços de camarão, à frente do espelho e aguardaram para verificar se o reflexo interagia com o objeto. Esse comportamento, até então registrado apenas em golfinhos e raias-manta, indica um nível avançado de conexão entre percepção visual e ação intencional.
Imagem: Imagem ilustrativa
Para os autores do estudo, essas evidências reforçam a hipótese de que a presença de autoconsciência no reino animal pode ser mais ampla do que se considerava anteriormente. O bodião-limpador, embora diminuto, passa a integrar o debate sobre a evolução da inteligência e dos mecanismos cognitivos entre diferentes grupos de vertebrados.
O experimento conduzido em Osaka não apenas amplia o rol de espécies com capacidade de autorreconhecimento, mas também sugere a necessidade de revisitar critérios e métodos usados na avaliação da cognição animal.
Com informações de Tnh1